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Medição de Obras: Como Blindar seu Pagamento Contra Cortes e Glosas

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1. Introdução: Obra Executada Não é Obra Paga

Existe uma regra cruel na engenharia que todo recém-formado aprende quando o salário atrasa: “O que não é medido, não é pago.”

Você pode ter concretado 500m³ de laje e assentado todo o piso. Se esse serviço não estiver registrado, aprovado e lançado no Boletim de Medição (BM) até o dia de corte (dia 25), para o financeiro da construtora é como se você tivesse ficado em casa assistindo Netflix.

A Medição de Obras é o momento onde o suor vira dinheiro. Neste guia, vou te ensinar a montar uma pasta de medição à prova de balas, para que o fiscal do cliente não tenha coragem (nem argumentos) para cortar um centavo do seu pagamento.

2. O Tripé da Aprovação

Uma medição profissional não é só uma planilha de Excel com números. Ela precisa se sustentar em 3 pilares. Se faltar um, a medição cai:

  1. Avanço Físico: O serviço existe no mundo real? (Está pronto).
  2. Qualidade Técnica: Está aprovado? (Tem FVS assinada e sem pendência).
  3. Documentação: As evidências estão lá? (Fotos, Laudos, Certidões Negativas e Data Book).

Alerta: Se você entregar a medição física perfeita, mas sem o certificado de descarte de entulho (MTR), o cliente trava o pagamento de R$ 100 mil por causa de um papel.

3. Os Critérios de Medição (As Regras do Jogo)

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Antes de medir a primeira parede, leia o Contrato. É aqui que você perde dinheiro.

  • Critério de Preço Unitário: Você recebe exatamente o que fez (Ex: 152,5 m² de piso). É o mais justo.
  • Critério de Preço Global (Etapas): O perigo mora aqui. O pagamento é por marco (Ex: “100% da Fundação”). Se faltar uma estaca de 200, você recebe ZERO. Não existe “99% pago” em Global. É tudo ou nada.
  • A Polêmica dos Vãos (Janelas): Na pintura e reboco, desconta a janela ou não?
    • Regra Geral: Vãos < 2,00m² não descontam (“pano cheio”). Vãos > 2,00m² descontam apenas o excedente.
    • Cuidado: Verifique se seu contrato segue a SINAPI ou regra própria. Medir errado aqui é visto como má-fé.

💡 Dica de Campo do Adrian: A Memória de Cálculo Visual (O Segredo da Aprovação) Nunca chegue na reunião apenas com números frios numa tabela. Leve uma Planta Baixa Pintada. Imprima a planta do piso e use caneta marca-texto (ou hachura no AutoCAD/Revit).

  • Amarelo: Medição Mês 1.
  • Verde: Medição Mês 2 (Atual). Quando o fiscal vê a planta pintada, ele entende na hora o que foi feito. Isso elimina 90% das dúvidas e acelera a assinatura dele. Transparência gera confiança.

4. Passo a Passo Anti-Glosa

A “Glosa” é o corte no pagamento. Para evitar, siga este roteiro:

  1. Levantamento Conjunto: Não meça sozinho. Chame o fiscal para andar na obra dia 20. O que for combinado no campo não é cortado no escritório.
  2. Dossiê de Evidências: Anexe o Relatório Fotográfico datado. Foto da vala aberta, foto do tubo, foto da vala fechada.
  3. FVS (Ficha de Verificação): Sem a ficha de qualidade assinada, o serviço tecnicamente “não existe”.
  4. Boletim de Medição (BM): A capa do processo. Deve mostrar claramente: Saldo Anterior, Medição Atual e Saldo a Medir.

5. Conclusão: O Ciclo do Caixa

Não deixe para montar a pasta de medição no dia 30. A medição começa no dia 1. Se você deixar para caçar papel na última hora, vai perder o prazo de corte (dia 25). Se perder o dia 25, o dinheiro só entra daqui a 45 dias (no próximo ciclo). Isso quebra o fluxo de caixa e deixa a empresa sem dinheiro para pagar a folha. Seja rigoroso. Medição sagrada é salário em dia.

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