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Cura do Concreto: Como Salvar sua Laje de Fissuras (Sem Gastar Rios de Dinheiro)

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1. Introdução: O Pesadelo do Dia Seguinte

Você concreta a laje num dia de sol forte, sai da obra com a superfície lisinha e espelhada. No dia seguinte de manhã, você chega e encontra aquele mapa de rachaduras parecendo um “pé de galinha”.

O cliente olha torto, o mestre de obras culpa o traço do concreto, mas você sabe a verdade: Faltou Cura.

Existe um mito perigoso na obra de que o concreto precisa “secar”. Na verdade, é o oposto: Concreto precisa beber água. Se a água da mistura evaporar antes da hora (seja pelo sol, vento ou pelo próprio calor da reação), a estrutura encolhe e rasga. Resultado: patologia, infiltração e prejuízo antes mesmo da obra acabar.

Neste guia, vou te explicar não a teoria química, mas o que eu faço na prática para garantir que o concreto atinja os 30 MPa que eu comprei, e não vire um farelo de 20 MPa.

2. O Básico: Hidratação vs. Secagem

Para explicar para a sua equipe: O cimento não é cola, ele é um reagente químico. Ele precisa da água para formar os cristais que “travam” a areia e a pedra.

  • Sem Cura: A água evapora ➜ A reação para no meio ➜ Concreto fraco e poroso.
  • Com Cura: A água fica retida ➜ Reação completa ➜ Concreto duro e impermeável.

O Dano é Irreversível: Se você perder a cura nos primeiros 3 dias, não adianta molhar depois. O concreto “morreu” naquela resistência baixa.

3. Métodos que Funcionam na Obra Real

cura do concreto

Esqueça a teoria de laboratório. Na obra, temos que usar o que a mão de obra consegue executar.

3.1. Cura Úmida (O “Feijão com Arroz”)

É o método mais eficiente, mas também o que mais falha por erro humano.

  • Aspersão (Mangueira): O servente molha de manhã e esquece a tarde. O concreto seca e esquenta. Aí ele joga água fria na laje quente. Choque térmico = Fissura. Evite depender da memória do funcionário.
  • Alagamento (A Piscina): Fazer barreiras de areia nos bordos da laje e encher de água (5cm). É o melhor isolante térmico que existe. A laje cura sozinha e você dorme tranquilo.

3.2. Cura Química (Para Grandes Áreas)

Usamos muito em pisos industriais (galpões). Pulverizamos uma “tinta branca” (membrana) logo após o acabamento. Ela cria um filme plástico que lacra a água lá dentro.

  • Atenção: Se for rebocar ou pintar depois, essa película pode atrapalhar a aderência. Tem que lixar antes.

💡 Dica de Campo do Adrian: A Mágica da Manta de Bidim (Geotêxtil) Em obras verticais ou onde não dá para alagar, eu uso sempre a Manta Geotêxtil (Bidim). Como faço: Assim que o concreto dá pega (dá para pisar sem marcar), estendo a manta sobre toda a laje e molho ela até encharcar. Por que funciona? O Bidim segura a água por horas, funcionando como uma esponja. O vento bate na manta, não no concreto. Isso evita que eu tenha que destacar um funcionário para ficar com a mangueira na mão o dia todo. É produtividade pura.

4. Por Quanto Tempo Curar? (A Regra dos 7 Dias)

A norma NBR 14931 pede no mínimo 7 dias. Mas na vida real, sabemos que o cronograma aperta.

Minha recomendação de sobrevivência:

  • Dias 1 a 3 (Críticos): A cura tem que ser sagrada, 24 horas por dia. Se falhar aqui, fissura na certa.
  • Dias 4 a 7 (Maturação): Mantenha úmido, mas já é menos crítico. O ganho de resistência continua.

Cimento CP-III e CP-IV (Ecológicos): Esses cimentos com escória demoram mais para reagir. Neles, a cura tem que ser mais longa (10 a 14 dias) do que no CP-V (ARI).

5. Conclusão: O Barato que Sai Caro

A água é o insumo mais barato da obra (quase grátis). A recuperação estrutural com epóxi é um dos mais caros. Não faz sentido economizar na mangueira depois de gastar milhares de reais em concreto usinado e aço.

Engenheiro de verdade cuida da peça até o fim. Coloque a “Verificação de Cura” no seu RDO e cobre do mestre. Uma laje sem fissuras é o melhor cartão de visitas que você pode ter.


📊 Não desperdice material: Calcule o volume exato

Cuidar da cura é essencial para não perder a resistência, mas cuidar do quantitativo é essencial para não perder dinheiro. Errar o volume de concreto (pedir de menos e ter que fazer junta fria, ou pedir de mais e jogar fora) é um prejuízo gigante.

Para garantir que você peça o volume exato de concreto e a quantidade certa de aço, eu uso o meu Kit Dimensionamento Ágil.

Com ele, você tem segurança total nos levantamentos:

  • Quantitativo de Concreto Armado (Volume exato de Vigas, Pilares e Lajes).
  • Calculadora de Materiais (Alvenaria e Reboco).
  • Dimensionamento Hidráulico (Água e Esgoto).

Tenha a precisão técnica no seu projeto e na sua compra.

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