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Curva S MS Project: Guia Prático de ControleCurva S no MS Project e P6: O Guia de Campo do Planejador (Pare de Gerar Gráfico Morto)

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1. Introdução: O “Eletrocardiograma” da Obra

Se você trabalha em obras industriais ou de infraestrutura, sabe que a reunião semanal de avanço é o momento da verdade. É ali que o gerente pergunta: “Estamos dentro ou fora?”.

Na minha rotina como planejador, a Curva S não é apenas um gráfico bonito para colar na parede do escritório; ela é o eletrocardiograma do projeto. É a única ferramenta capaz de me dizer, em segundos, se o dinheiro gasto (Custo Real) está entregando o avanço físico prometido (Valor Agregado).

Infelizmente, vejo muitos engenheiros gerando a Curva S apenas “para constar” no contrato, sem usar os dados para tomar decisão. Neste artigo, vou abrir a caixa preta de como eu gero, interpreto e, principalmente, como não ser enganado pelos gráficos do MS Project e Primavera P6.

2. O Conceito na Prática (Sem “Engenhês”)

Esqueça as definições complexas de livros por um minuto. Para gerenciar uma obra de verdade, você só precisa entender a briga entre três linhas. Isso é o que chamamos de EVM (Earned Value Management):

  1. VP (Valor Planejado / A Linha de Base): É o seu plano original. É a promessa que você fez para o cliente. Na Curva S, é a nossa referência fixa.
  2. CR (Custo Real / O Bolso): É quanto dinheiro saiu do caixa. Nota fiscal emitida, medição de empreiteiro paga.
  3. VA (Valor Agregado / A Entrega): Aqui está o segredo. É quanto a obra andou de verdade. Se você gastou 1 milhão (CR), mas só levantou meia parede (VA), sua obra está doente.

O Resumo da Ópera: O nosso objetivo diário é fazer com que a linha de Entrega (VA) esteja sempre acima ou colada na linha do Plano (VP), gastando o mínimo possível (CR).

3. Passo a Passo: Gerando a Curva S sem Erros

Muitos planejadores erram aqui. Se você jogar lixo dentro do software, ele vai gerar um gráfico de lixo. A disciplina na entrada de dados é inegociável.

3.1. Preparação do Terreno (Antes de clicar em “Relatório”)

Não adianta tentar gerar Curva S se o seu cronograma não tem:

  • Sequência lógica fechada (sem tarefas soltas).
  • Recursos ($ ou Horas) alocados em todas as atividades. O MS Project precisa saber quanto custa cada tarefa para desenhar a curva.

3.2. A Importância da Linha de Base (Baseline)

Isso é sagrado. Antes de começar a obra, você precisa “tirar uma foto” do plano aprovado.

  • No MS Project: Vá em Projeto > Definir Linha de Base > Salvar.
  • No Primavera P6: Project > Maintain Baselines.

Sem isso, o software não tem com quem comparar o “Realizado”. É como tentar medir atraso sem saber a hora marcada do compromisso.

3.3. O “Pulo do Gato” na Medição (Atualização)

É aqui que a mágica acontece semanalmente.

  • Físico: Insira quanto da atividade andou (% Completo). Isso gera o VA.
  • Financeiro: Insira quanto custou de verdade. Isso gera o CR.

💡 Dica de Campo do Adrian: Cuidado com a “Curva Banana”! Um erro clássico que já vi em projetos grandes: o cronograma está “em dia” (Curva S física bonita), mas o financeiro está explodindo. Isso acontece quando o planejador alimenta o avanço físico (% Completo) mas esquece de lançar o custo real ou as horas extras da equipe. Minha recomendação: Antes de enviar o relatório para o cliente, faça sempre a “Prova Real”: compare o Custo Real do Project com o relatório do SAP ou do financeiro da empresa. Se os números não baterem, sua Curva S está mentindo.

4. Interpretando o Gráfico (Leitura Tática)

Agora que você gerou o gráfico (seja pelos Relatórios Visuais do Project ou exportando para o Excel), como ler isso rápido?

  • VA abaixo do VP (Curva de Entrega abaixo da Planejada): 🚨 Sinal Vermelho. A obra está atrasada. Você entregou menos do que prometeu. Ação: Hora de traçar plano de recuperação ou aumentar efetivo.
  • CR acima do VA (Curva de Custo acima da Entrega): 💸 Torneira Aberta. Você está gastando muito para produzir pouco. A produtividade da equipe está baixa.
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(Legenda: Exemplo prático de Curva S extraído do MS Project. Note o distanciamento entre a linha de Base e o Realizado).

5. Os Indicadores que o Gerente Quer Ver

Além do visual, usamos dois números para resumir a obra na reunião de diretoria:

IndicadorO que significa?Meta
IDP (Índice de Prazo)A velocidade da obra.= 1,0 (No prazo)
IPC (Índice de Custo)A eficiência do gasto.= 1,0 (No orçamento)

Se o seu IDP for 0,8, significa que a obra está andando a 80% da velocidade necessária. Vai atrasar.

6. Conclusão: Engenharia é Decisão

Dominar a Curva S no MS Project ou P6 não é sobre saber clicar em botões, é sobre ter o controle do projeto na mão.

Se você é engenheiro ou planejador, pare de usar a Curva S apenas como um desenho burocrático. Use os desvios de VP e VA para antecipar problemas e propor soluções antes que o prazo estoure. É isso que diferencia um “apertador de botões” de um Gestor de Obras.

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